Você é vítima de si mesmo

Mas, felizmente, é possível reverter esse quadro

Sabe quando o mundo parece conspirar contra você? Quando tudo parece dar errado, não importa o quanto você se esforce? Uma injustiça, certo? Pare por um momento, e reflita: quais pensamentos emergem na sua mente quando você pensa nisso? Alguma situação na qual você se sentiu injustiçado? Uma vítima das circunstâncias? 

É muito provável que essa sensação tenha ocorrido em algum momento (ou talvez muitos momentos) da sua vida. Sem sombra de dúvidas existem situações complicadas pelas quais passamos, e ainda passaremos, e que estão além da nossa capacidade de compreensão. Em relação a isso, tenho uma boa e uma má notícia para você:

Má notícia: Algumas vezes a vida vai doer profundamente, e você precisará abrir mão do controle e deixa-la fluir, por mais difícil que seja.
Boa notícia: Apenas 10% do que acontece na sua vida está relacionado com o que acontece com você. Os outros 90% tem a ver com a forma como você reage a esses acontecimentos.

O que isso significa? Que você não pode controlar o que acontece com você, como perdas de pessoas queridas, doenças, decepções, mas pode – e deve – ter controle sobre a forma como você reage a isso, a forma como você pilota sua aeronave mental. Essa é uma teoria desenvolvida por Stephen Covey, o princípio dos 90/10. 

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Quando não compreendemos e aplicamos essa teoria no nosso dia-a-dia, acabamos nos tornando vítimas do “coitadismo”, uma perigosa armadilha da mente. O coitadismo é a arte de ter compaixão de si mesmo. Vai além de não se sentir capaz – entra na esfera da propaganda desse sentimento.

O coitadista faz marketing das suas crenças de impotência e limitação. Não tem vergonha de dizer o quão derrotado é, se considera um problema sem solução. Pensa e fala que nada do que faz dá certo, que não tem amigos, que é humilhado e passado para trás pelas pessoas. O coitadista praticamente se considera o Midas do avesso: tudo o que toca vira cinzas.
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Incorporando esse papel autopunitivo, o coitadista acaba se programando para ser derrotado. Muitos são humanos com os outros, mas inumanos consigo mesmos; gostam de cuidar das pessoas, mas são péssimos para cuidar de si. O coitadista se auto abandonou. Está sempre esperando que os outros percebam a sua miséria e o encorajem, o animem, o estimulem. Ele depende dos outros para ser feliz. 

Mal sabe ele que, dessa maneira, acaba colocando sua vida nas mãos alheias, perdendo sua autonomia. Quem tem dó de si mesmo constrói os alicerces da sua mente num terreno de areia movediça, que balança a qualquer mínimo vento.

Assumir a responsabilidade pelo que ocorre conosco pode ser um processo muito dolorido. Isso porque perdemos o conforto de encontrar um culpado para nossas mazelas. Nos sentimos vulneráveis, desprotegidos, ameaçados – perdemos a ilusão de termos um escudo.

A ideia não é se sentir culpado pelo sofrimento que você está passando, mas sim ter a consciência de que, por pior que pareça ser essa dor, sempre existe algo que você possa fazer a respeito. Ao contrário do que parece, compreender isso é libertador e deixa você mais forte. Assumindo a responsabilidade pela forma com a qual você reage aos acontecimentos da sua vida, você recupera o controle pela sua vida e se dá, novamente, a possibilidade de viver em paz.

Então, sim, você é uma vítima, mas não das circunstâncias. Você é uma vítima de si mesmo, da falta de gestão da emoção da própria mente. O seu pior inimigo é sempre você mesmo. Fique feliz por isso! O inimigo externo está fora do seu campo de controle, é impossível determinar suas ações. O inimigo interno, pelo contrário, pode ser acolhido, treinado e domado.

Não entregue sua felicidade nas mãos de outra pessoa jamais! Esse é o seu bem mais precioso, e deve ser sempre prioridade na sua vida.



O artigo oficial escrevi para o Blog da Academia de Gestão da Emoção do Dr. Augusto Cury
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