É muito difícil tratar fibromialgia?

Veja os tratamentos recomendados para a síndrome

Existe um mito de que “é difícil tratar fibromialgia”. Eu vou explicar com todos os detalhes porque acredito que isso não é bem assim.

Mas, para começo de conversa, qual é o tratamento recomendado para a fibromialgia?!

Numa visão ampla, o tratamento pode ser dividido em duas vertentes: (1) o tratamento medicamentoso e (2) a terapia não-farmacológica. O tratamento medicamentoso geralmente envolve medicamentos alopáticos, que vão produzir no organismo sintomas opostos ao da doença (um exemplo: se você tem febre, o medicamento terá a função de baixar a temperatura). São os medicamentos tradicionais, geralmente produzidos pelas grandes empresas e receitados pelos médicos – no caso da fibromialgia, com frequência o reumatologista, neurologista, fisiatra ou psiquiatra.

Veja recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia

A terapia não-farmacológica (a minha preferida, confesso), envolve um conjunto mais completo de ações. Eu acredito neste tipo de abordagem porque ela gera uma mudança de comportamento, enquanto o tratamento medicamentoso apenas irá agir nos sintomas da fibromialgia, dificilmente na sua causa. Essa terapia abrange, entre outros:

- Exercício físico orientado por profissional de saúde – hidroginástica, pilates, yoga são bem comuns;
- Tratamentos alternativos, como acupuntura;
- Mudança alimentar orientada por nutricionista – retirada de glúten, controle de cafeína, álcool e cigarro são frequentes;
- Aumento da exposição solar para produção de vitamina D;
- Cuidados com o sono;
- Terapia psicológica – mudança de mentalidade.

O tratamento que mais traz benefícios ao paciente, segundo recentes estudos, é o exercício físico! Sim, pode acreditar!

Então vamos ao mito: é difícil tratar fibromialgia. Olhando para essa lista aqui em cima, você pode até concordar que sim, é muito difícil! Isso porque mudar um hábito com o qual já estamos acostumados é difícil, mesmo quando sabemos que aquilo nos faz mal. 

O primeiro desafio é que, na maioria das vezes, os profissionais de saúde infelizmente ainda não estão capacitados e informados sobre a fibromialgia, não conseguem compreender seus pacientes e acabam não tendo paciência e nem conhecimento suficiente para orientar e promover uma melhora nessa condição.

O segundo desafio é que estar educado e informado sobre a fibromialgia é um dever seu. Sim, o protagonismo do paciente no tratamento de qualquer doença é fundamental. Não podemos esperar que o médico ou outro profissional faça um milagre, se não estamos comprometidos em fazer as mudanças que precisamos.

O mito de que é difícil tratar fibromialgia acontece porque ela é uma síndrome complexa que não possui um tratamento de início, meio e fim, como é o caso de uma infecção tratada com antibiótico, por exemplo. Além disso, não existe uma pílula milagrosa que vai mudar sua vida da noite para o dia. Entretanto, muitas doenças mais corriqueiras também são assim. A diabetes, por exemplo, além do tratamento medicamentoso, também exige uma mudança de comportamento, controle alimentar e exercício físico. 

Veja também o artigo sobre como vencer o medo de mudar

Pelo contrário, a fibromialgia exige participação ativa na sua própria vida (o que faz sentido, não?). Em vez de se posicionar passivamente, indagando: “por que isso está acontecendo comigo?”, procure aceitar o momento que está vivendo hoje e pense “o que eu posso fazer para resolver esse problema?”, “o que eu preciso mudar na minha vida para ser verdadeiramente feliz?”, ou “o que eu posso aprender com isso?”.

A única pessoa capaz de mudar essa história é você :)

OBS: É muito importante ter acompanhamento do médico e outros profissionais de saúde para o tratamento adequado de qualquer doença. A fibromialgia muitas vezes vem acompanhada de outras condições que também exigem tratamento específico e precisam ser observadas com cuidado
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