Entenda a relação entre fibromialgia e depressão

Nem todas as pessoas desenvolvem o transtorno

Nunca é simples falar de questões psicológicas/psiquiátricas. Infelizmente, ainda existe muito preconceito e falta de informação quando o assunto é depressão, ansiedade, transtornos de personalidade, síndrome do pânico e outras condições similares. O que vou fazer aqui é esclarecer alguns pontos que talvez possam te ajudar, ou ajudar alguém que você conhece.

Antes de tudo, vamos entender o que é a depressão. Trata-se de um distúrbio afetivo que provoca alterações químicas no cérebro, principalmente relacionadas à serotonina, noradrenalina e dopamina – substâncias essas responsáveis por transmitir mensagens de um neurônio a outro. Existem muitos sintomas num quadro de depressão, sendo a tristeza o mais conhecido deles. A depressão é muito mais do que sentir-se mal, sentir-se deprimido ou triste. É uma condição grave, que afeta profundamente a vida do indivíduo.

A doença afeta 5,8% dos brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde, um total de 11,5 milhões de pessoas. Sendo uma condição séria de saúde, é fundamental o diagnóstico médico e tratamento adequado, que geralmente envolve o uso de medicamentos e a psicoterapia. Ao contrário do que geralmente se imagina, os fatores externos são a consequência, e não a causa da depressão.

Não é necessário um motivo para ter depressão. Frequentemente, pessoas com depressão são julgadas por não terem “justificativa” para terem a doença, mas isso não faz sentido nenhum. É como, por exemplo, culpar alguém por ter desenvolvido artrite reumatoide. Ninguém diz “você não tem motivos para ter artrite!”. As pessoas adoecem e não necessariamente existe um motivo para isso, por que seria diferente com a depressão? 

Veja também o artigo sobre a causa da fibromialgia

Nesse sentido, condição nenhuma “causa depressão”. O estresse pode precipitar a depressão em pessoas já predispostas, o que possivelmente envolve fatores genéticos. É como o caso de uma pessoa com predisposição para hipertensão que mesmo assim abusa do sal, é sedentária, fumante e está acima do peso. Esses fatores podem desencadear ou acelerar a doença, mas não são a sua causa.

Nem toda pessoa com fibromialgia tem depressão. Alguns estudos apontam que entre 30% e 50% dos pacientes de fibromialgia apresentam depressão. Ter depressão é diferente de se sentir mal com a dor, ficar triste, não querer sair de casa. Com a depressão, o buraco é muito mais embaixo. A fibromialgia não causa depressão. Ela pode, sim, desencadear um processo em pessoas que já possuíam predisposição para tal.

Depressão não é brincadeira. Não é legal. Não é moda. É uma doença séria que exige um tratamento sério. Antes de julgar (a si mesmo ou aos outros), procure entender. Procure um médico, e não contribua com a corrente de desinformação que segue por aí.
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